quarta-feira, 24 de abril de 2013

O frio que esperava


Mas eu tô ficando velha...


Não é no rosto que vejo minha idade, ela foi generosa! É no ranger dos ossos, é na falta de paciência pra esperar, é na preguiça de sair de casa, é no apreço pelos momentos de silêncio e solidão.

Eu tô ficando velha, me desculpe então se não tenho tempo pra te esperar. Você é um, e nesse mundo ainda tenho muita gente pra desvendar. Foi bom te observa um pouco, te esperar ligar essa semana e ir ao cabeleireiro planejando um encontro, mas já tá na hora de seguir meu doce capricho.

Eu já estou velha pra culpar o tempo por ter me levado  a você na hora errada, pra culpar a ética social pela sua falta de atitude. 

Já é tarde e o frio que esperava chegou! É hora de arrumar o quarto, tirar a poeira dos livros, organizar minhas gavetas, mas antes vou tirar o lixo do chão e me despedir do que não me serve mais. Resolvi começar por você... 


Estavas ocupando espaço demais, e das sensações que mais amo estar entre elas o cheiro de faxina e dançar no espaço vazio que fica quando coloco fora tudo que eu nem acreditava que não me faria tanta falta.

quinta-feira, 18 de abril de 2013


Desaprendendo o caminho

Ando pelo mesmo caminho todos os dias... A cabeça leva o corpo cansado, ou será o corpo amestrado que leva uma cabeça cansada?  
Peço todos os dias em minhas preces que por onde caminhe, não simplesmente caminhe. Que o hoje nunca pareça igual ao ontem, que minha sensibilidade perceba com prazer a graça de atravessar as mesmas ruas todos os dias.
Que a rotina tenha um sabor doce, que meu dia seja leve, que encontre nesse caminho sorrisos, e que esses sorrisos o façam diferente dia após dia. 
Que me seja permitido desaprender o caminho sempre que necessário, que meu corpo não se sinta parte do caminho tantas vezes percorrido, que este mesmo corpo não se sinta amputado se tiver que mudar a rota. 
Que a possessividade sobre o bem comum não me impeça de experimentar o novo, de cruzar com novos sorrisos, que me permita sempre ser guiado pelo desejo da mudança, e que a mudança também seja doce, mas não tão doce a ponto de enjoar o caminho que tantas vezes andei. 
Que volte sempre que preciso e recomece a caminhar, mas, que o recomeço não me pareça um retrocesso, e sim uma oportunidade de saboreá-lo outra vez, pois, não importa quantas vezes retorne ele sempre será novo.
Adoro minha rotina, mas amo mesmo os deliciosos motivos que me fazem quebra-lá!

quarta-feira, 17 de abril de 2013


A Dor do que não foi


Fiz questão de esquecer, aquela dor humanamente insuportável, que me fez chorar horas, ou talvez dias... E sangrar mesmo quando as lágrimas secaram, e olha na cara dos urubus fingindo não sentir o mau cheiro do coração apodrecido, fingindo não escutar os gritos de dor ecoando no vazio que deixastes.
Sei que a memória de tal dor não é mérito apenas meu, que quem vive e de fato vive sabe como doí a saudade do que não aconteceu, sabe como é a falta do que nunca existiu e a perda do que nunca se possuiu. 
O vazio do que não foi é muito maior que a lembrança de tudo que aconteceu, as expectativas que construí e que nem sei se te informei consumiram minha crença em dias melhores. 
Mas a vida, a generosa vida me presenteou com tempo, porções de tempo todos os dias, que gradativamente anestesiaram minha dor, que limparam a densa neblina dos meus olhos que causavam tanta deformidade na realidade que enxergava.
Esse mesmo tempo me ensinou mais que as décadas de escola, me ensinou aquilo que ninguém é capaz de teorizar em livros, e foi esse tempo que sabiamente não me deixou te esquecer, mas, que me permite dizer todos os dias que já não lembro mais de você.  

Ausência que aproxima

Saudade responde mais que a presença. É quando o coração pede aquilo que os olhos não enxergam.  
Na saudade te encontro em tudo que olho, nas outras pessoas, nas músicas, em um jeito de andar, em um virado de cabeça, é uma ausência tão sentida que nos aproxima.  
Essa saudade que te trás pra perto mesmo que distante transforma minha semana em espera.
Ahhh essa ausência colorindo meus dias em tons pastel esperando pela explosão de cor de tua chegada, aqui sentada na velha cadeira, esperando na rotina do dia-a-dia a eternidade de um momento. 
Preciso de você, mesmo que longe, saber que estais bem e que pensas em mim. Preciso de você perto, mesmo que pouco, só pra esquecer se estar  frio ou calor. 
Tiraste-me o sossego para me devolver mais tarde no afago de seus braços, dentro do nosso abraço as palavras se fazem desnecessárias, estar tudo dito. 

Estendeste-me as mãos e eu coloquei nelas minha vida inteira.

domingo, 14 de abril de 2013


Marcas


Estou repleta de marcas!


Algumas são belas tatuagens, parte delas até causaram dor no início, e hoje decoram minha alma. Outras são cicatrizes, profundas cicatrizes, não pararam de doer com o tempo... Na verdade doem como ferida aberta toda vez que lembro, que penso, que me lamento...
Marcas em meu corpo, marcas em minha memória, marcas em minha alma.

De tudo porém, só lamento realmente aquilo que não me deixou marcas.

Bandolins

Ela tinha um sonho quando criança, Queria ser bailarina.

Bailarina pra ela podia voar, mas ela cresceu...

Hoje ela senta na mesa do bar e escuta bandolins na esperança de um dia dançar como criança, e assim enfim voar.

Vício


Você não mentiu em nada pra me conquistar, foi muito bom me ter em teus braços, esperar o teu abraço.

Ofereci-te as costas, e enquanto teus braços não se cruzam em meu corpo, fumo mais um cigarro pra lembrar no cheiro que fica em meus dedos dos nossos beijos.


(Pra você que me desconcerta)


domingo, 7 de abril de 2013

Olhos de Abismos


Meus olhos são abismos que escondem lagoa de água azul e cristalina. Você pode só olhar e pensar quão refrescante é se banha em tais águas, agora se quiser de fato mergulhar tem que soltar as amarras e pular sem cordas.



Te ofereço maravilhas escondidas nos meus abismos, não me retribua ofertando seus medos.


Prefiro que me ofereça descobrir o que se esconde nos abismos que são seus...