quarta-feira, 17 de abril de 2013


A Dor do que não foi


Fiz questão de esquecer, aquela dor humanamente insuportável, que me fez chorar horas, ou talvez dias... E sangrar mesmo quando as lágrimas secaram, e olha na cara dos urubus fingindo não sentir o mau cheiro do coração apodrecido, fingindo não escutar os gritos de dor ecoando no vazio que deixastes.
Sei que a memória de tal dor não é mérito apenas meu, que quem vive e de fato vive sabe como doí a saudade do que não aconteceu, sabe como é a falta do que nunca existiu e a perda do que nunca se possuiu. 
O vazio do que não foi é muito maior que a lembrança de tudo que aconteceu, as expectativas que construí e que nem sei se te informei consumiram minha crença em dias melhores. 
Mas a vida, a generosa vida me presenteou com tempo, porções de tempo todos os dias, que gradativamente anestesiaram minha dor, que limparam a densa neblina dos meus olhos que causavam tanta deformidade na realidade que enxergava.
Esse mesmo tempo me ensinou mais que as décadas de escola, me ensinou aquilo que ninguém é capaz de teorizar em livros, e foi esse tempo que sabiamente não me deixou te esquecer, mas, que me permite dizer todos os dias que já não lembro mais de você.  

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